As escolas deviam de criar tanto tempo para as salas de aulas como para os recreios. As crianças aprendem enquanto brincam! E os livros arrumam com a paciência dos adolescentes o que faz com que a aprendizagem se torne um massacre, invés de uma brincadeira que os prepare para a vida. Infelizmente, não vejo alunos com saudades de ir para a escola com o motivo de ter aulas, pelo contrário, querem ir para a escola para rever os colegas, para brincarem com eles. Acredito que se a disciplina, a ordem, o respeito reina-se enquanto se ensina a brincar, aprendizagem seria tão completa como aquela que nós temos nos dias de hoje que em nada aproxima os alunos das aulas.
Nas escolas diminuiu-se a brincadeira, diminuíram-se os sorrisos e, pior que tudo, diminuíram-se os sorrisos enquanto se brinca. É imperial que os professores façam parte da família alargada das crianças e não permaneçam, apenas, como domadores de pequenos selvagens. Os recreios deviam de existir com os professores e não com a ausência deles. Brincar com quem sabe o jogo da vida só pode dar um bom resultado em aumento do conhecimento dos adolescentes. E por favor, não pensem que se pode brincar sozinho. Brincar sozinho nunca pode ser brincar. Brincar sozinho é uma forma de iludir a falta de brincadeira… Penso que a confusão persista entre “estar entretido” e “estar a brincar”, embora estando a brincar se está entretido, estar entretido não é sinónimo de estar a brincar e muito menos de estar a aprender.
Eduardo Sá, psicólogo clínico, afirma que “a escola devia de ser onde se descobre que brincar é aprender a dois ou muitos mais, e quem não brinca decora e repete, mas não corrige: reprova.” Uma escola não deve procurar fabricar adultos, mas sim, perpetuar a “idade dos porquês”. E para que esta idade faça sentido, são precisas no mínimo duas pessoas: quem pergunta e quem dá a resposta. Viver é como fazer uma pergunta, isto é, eu faço uma pergunta porque quero uma resposta, obviamente, de outra pessoa. Eu vivo porque quero uma resposta, obviamente, de quem melhor pode viver comigo, e não vejo melhor ser para viver comigo que uma pessoa que me compreenda e que queira também viver.
Continuando embalado em palavras de Eduardo Sá, lembro-me de ouvir: “Desculpem o desabafo, mas devíamos fechar a educação para obras, para balanço, para mudança de ramo ou para trespasse. Seja para o que for, tudo será melhor do que este «vai-se andando» que entontece e nos magoa”. Para mim, este é um comentário preocupante e que procura alertar o país para os problemas da educação, mais que isso, procura mostrar que a aprendizagem, e a forma como esta se processa, precisa de muita mais atenção para que possa surgir uma mudança favorável numa das áreas mais importantes de qualquer país: a educação.
A ideia que o trabalho das crianças é estudar está completamente errada. Antes de mais, porque as crianças não têm que trabalhar, e estudar não pode ser um trabalho para as crianças. Depois, as crianças, para além, de não terem que trabalhar, têm é que aprender de uma forma menos difícil, como por exemplo, a brincar. As crianças são bombardeadas com muito trabalho que não lhes mostra onde estas estão erradas, ao contrário do que acontece nos jogos do recreio. Para além, de lhes mostrar o que está errado, mostra-lhes que os outros também erram, pois, muitas vezes, “os professores mostram que acertar é apenas exigível aos alunos”, como diria Eduardo Sá.
Concluo, pedindo que se brinque mais. Que se ensine a brincar em prol de maior conhecimento e de jovens cada vez mais cultos e autónomos. A vida tem que ser bem aproveitada e, para isso, é necessário que se aprenda a viver melhor nos poucos recreios que a vida tem.
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