sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dura praxis sed praxis

     Todas as praxes académicas são necessárias e indispensáveis se forem aplicadas com bom senso e racionalmente. Processos crime são igualmente necessários e indispensáveis quando a praxe académica deixa de ser o que é e transborda até aos danos físicos e psicológicos graves.
     Fui alvo de diferentes tipos de praxe e em cidades diferentes, isto é, estive submetido a praxes em Portalegre e na Covilhã. Vi abusos, denunciei alguns deles, compreendi outros, embora nenhum me fez abandonar o meu estatuto de caloiro. Considero imprescindível existir um momento de praxe académica, talvez, mais controlada. A praxe permitiu-me conhecer mais pessoas num mês e meio do que em toda a minha vida, convivi com pessoas totalmente diferentes de mim que noutra circunstância, dificilmente, conviveria, ao conhecer “veteranos”, ou para outras cidades “doutores”, ou ainda para a minha, por exemplo, “grão-mestres” tive ajuda e ouvi muitos conselhos sobre o curso onde tinha acabado de entrar e não sabia bem o que podia esperar. Tudo isto foi importante e sim, é verdade, tive de lhes conhecer as cores do seu calçado sempre que me pediam para olhar para o chão, mas por outro lado foi bom começar a perceber que mais uns anos e quando começar a trabalhar, existirá um patronato muito mais humilhante do que estes colegas, apenas mais velhos.
     As praxes surgiram há alguns séculos com um objetivo totalmente diferente do que existe hoje, mas sempre com os mesmos métodos. No que toca à tradição considero que esta não deve acabar, mas sim adaptar-se aos direitos e deveres de todos os intervenientes nas praxes académicas. Agora, no momento em que cada vez mais ouvimos gritos para tentar acabar com as praxes, espero que os gritos das associações académicas sejam muito mais intensos. No entanto, existir um órgão nacional regulador das praxes também seria proveitoso, para que todos os alunos suportem as praxes e, assim, se adaptem da melhor maneira, pois um dos objetivos das praxes é a adaptação e integração a tudo o que existe de novo para os adolescentes que ingressam no Ensino Superior. Quando falamos em escolas básicas e secundárias, considero que as praxes nestas escolas sejam totalmente abolidas, pois são conduzidas por menores sem qualquer orientação.
     A resiliência adquirida nas praxes é, sem dúvida, um canto académico que conduz a uma melhor integração e adaptação à maior mudança na vida de um aluno até esta etapa do seu percurso. Dura praxis, sed praxis - "A praxe é dura, mas é a praxe" é um dos lemas das praxes académicas de muitas universidades do nosso país e acrescento: “a praxe é dura, mas é a praxe” que, respeitando, faz todo o sentido existir.

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