domingo, 18 de março de 2012

Dia do Pai

Num dia normal de aulas, a professora de ensino primário chega à escola e diz:
- Bom dia meninos! Sabem que dia é hoje?
- Sim, professora! É o Dia do Pai.
- Isso mesmo. Acertaram, é o dia em que vocês têm de dar uma especial atenção aos vossos pais. Um beijinho de agradecimento por tudo o que eles vos fazem, um abracinho apertado que lhes mostre que vocês são os melhores filhos do mundo… Aqui na escola, vocês vão fazer um desenho onde coloquem tudo o que vos faça lembrar os vossos pais. Depois das aulas, quando virem o vosso pai, dão-lhe o desenho e vão ver como ele vai ficar feliz.
Uns começaram por desenhar as ferramentas que os pais utilizavam nos seus trabalhos, outros desenhavam certas características físicas dos mesmos e, enquanto os alunos estavam empenhados a desenhar, a professora estava atenta ao seu aluno Francisco. Este não estava a desenhar, mantinha-se obcecado pelo branco da sua folha de papel.
- Francisco… Não fazes o desenho para o teu pai?
- Professora, o meu pai está no céu.
E, neste momento, a professora lembrou-se que o pai do Francisco tinha falecido há dias e que o que todos os adultos lhe tinham dito é que o pai tinha ido para o céu. Normalmente, é o que se diz aos mais novos, se alguém morre, de imediato se diz que determinada pessoa teve de ir para o céu.
- Pois foi Francisco! Mas, lembras-te do teu pai, eu sei que sim, podes pensar nele e no que ele fazia e desenhar o desenho para ele, o que dizes?
- Boa ideia professora! – Responde o Francisco.
Chegando ao final a aula, todos tinham terminado o desenho, incluindo o Francisco, que após o incentivo da professora, rapidamente, terminou a lembrança para o pai.
A felicidade de todos não era indiferente. Eles tinham noção que iriam ver os seus pais felizes. No final do dia, em casa, todos eles entregaram o desenho e deram o abraço apertado que a professora aconselhou a darem.
Com o Francisco foi diferente, ao chegar a casa mostrou o desenho à mãe e disse que era um desenho para lembrar o pai que estava no céu. Neste momento, a mãe criou dentro de si uma ira tão grande, que conseguiu manter aos olhos do pequeno Francisco, mas apenas aos olhos deste, pois a sua raiva transbordava todo e qualquer corpo. A tristeza de ter perdido o pai do seu filho e a ingenuidade do Francisco fizeram com que a mãe, fragilizada com a morte do seu marido, criasse uma fúria enorme dentro de si. Contudo, o Francisco continuava entretido.
- Cuidado Francisco - grita a mãe - tem cuidado com a janela.
- Estou a pôr o desenho do pai no estendal da roupa para ele ver o desenho que eu fiz na escola lá do céu, onde ele está.
Quando ouviu isto, a mãe ficou em silêncio. Mas, durante a noite, a mãe não aguentou! Foi à janela e tirou de lá o desenho feito pelo filho. Num momento de delírio, entre lágrimas, rasgou cada centímetro do desenho. Quando se apercebeu do que tinha feito, não queria acreditar e, de imediato, ligou para o psicólogo que tinha acompanhado a família após a morte do seu marido.
- Boa noite Henrique! – Dizia a mãe chorando e contando toda a história que se tinha passado.
- Não se preocupe e tenha calma. Amanhã de manhã reaja como se não tivesse acontecido nada e, se alguma coisa de anormal acontecer, ligue-me.
De manhã, a mãe já está na cozinha quando o Francisco acorda, e a sua primeira preocupação é em ir ver como está o desenho que fez para o seu pai. Aproximando-se da janela vê que o desenho não está lá e diz:
            - Vês mãe! Eu sabia que o pai vinha buscar o meu desenho

1 comentário:

  1. Adoro! Os nossos pais estão sempre lá quando precisamos. São o nosso maior apoio. São a nossa fonte de carinho. Somos abençoados com um pai e uma mãe que movem mundos e fundos para nos darem tudo aquilo que eles nunca tiveram e. embora muitas vezes não reconheçamos todos esses esforços, sabemos que quando tivermos o minimo problema, que eles estarão lá para resolver qualquer situação. Os nossos pais são a razão do nosso viver e a razão porque lutamos para garantir o nosso futuro. Pois sem eles, nada seriamos.

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