sexta-feira, 27 de abril de 2012

Mega-desastre

Esta semana no Região de Cister:
Descobri uma nova equação que quero partilhar, não é entre a igualdade de duas quantidades, mas entre a igualdade de vários erros. Mega agrupamentos de escolas + mini poupança = mega desastre. Analisando esta equação só podemos perceber que o Ministério da Educação não está a fazer o trabalho que lhe compete.
Afirmei há dias que “mais com menos é igual a menos” e creio que este ensinamento matemático está presente em todas as decisões do atual governo. Estão a agrupar as escolas, estão a diminuir os docentes e a diminuir a qualidade de ensino. Estão a aumentar o número de alunos por turma, insistem em diminuir o investimento para a educação e em diminuir o que faz tanta falta, a boa formação dos jovens.
Muitas vezes interrogo-me, e sei que não sou o único. Porque é que o governo não vê o óbvio? Porque é que não percebe que as medidas que são implementadas/impostas são tão “mega” quanto uma nega(tiva) ao que é plausível para o ensino acontecer? "Queremos agrupar escolas para que o processo educativo seja mais racional, para que haja mais contacto entre os diversos níveis de ensino, e para que tudo funcione de forma mais harmónica". Sim, podem-se rir, é caso para isso. Desculpem a anedota numa coluna séria sobre educação, mas não fui eu que a contei, foi o nosso Ministro da Educação, Nuno Crato. Como é que um aglomerado maior de escolas e de alunos pode funcionar de forma mais “harmónica”?!
Não sou a favor de guerra, de desacatos ou de qualquer tipo de violência, mas não sei se não passará por aí que conseguiremos transmitir uma forte mensagem de revolta à atual tutela. Megas más decisões merecem uma mega revolta. Na medida em que a imposição do que o governo quer não é proveitoso, e só provoca incómodo e mais sacrifícios aos mesmos de sempre, pais, alunos e professores, a contestação é necessária e tem que envolver desobediência.
Nelson Mandela afirma que "a educação é o grande motor do desenvolvimento pessoal. É através dela que a filha de um camponês se torna médica, que o filho de um mineiro pode chegar a chefe de mina, que um filho de trabalhadores rurais pode chegar a presidente de uma grande nação." Lamento que a parte final desta definição de educação seja uma utopia. Se assim fosse, também poderia dizer que para governar uma “grande nação” seriam precisas as famosas ”cunhas”, os simpáticos “padrinhos” e as constantes mentiras em discursos tão sorridentes.
Em suma, gostava que Nelson Mandela também dissesse a sua definição de “grande nação”, pois adorava dizer que Portugal, apesar dos seus governantes, é uma Grande Nação!

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